Ernesto Xavier demonstra, neste livro, que as tradições de matriz africana preservam uma vitalidade rara: enraizadas na ancestralidade, permanecem intensamente ligadas aos desafios do presente, indo muito além do sagrado e reafirmando sua resistência frente às tentativas de apagamento.
Entre os muitos méritos do livro está a defesa de que as culturas tradicionais são vivas, potentes, sofisticadas. Escapando às armadilhas que empurram os saberes e cosmovisões não brancas para o campo do que é atrasado ou pitoresco, Ernesto Xavier apresenta raciocínios que interessam às comunidades de terreiro, mas não estão circunscritas a elas. Deixa claro como o culto aos orixás é um patrimônio filosófico, artístico, espiritual, que não deve nada a qualquer grande sistema de pensamento que a humanidade produziu.
Ao falar sobre os orixás, o autor ilumina escolhas cotidianas, inspira modos de convivência e oferece caminhos tanto para a dimensão íntima quanto social de nossa vida. Um livro essencial para quem deseja conhecer o tema, mas também um grato recorte para os já iniciados.
"Este livro deixa claro que o culto aos orixás é um patrimônio filosófico, artístico, espiritual, que não deve nada a qualquer grande sistema de pensamento." Luiz Antônio Simas